Lagoa Santa recebe primeiro lote nacional de carbonato de terras raras para pesquisas de ímãs

O CIT Senai ITR, em Lagoa Santa (MG), recebeu 20 quilos de carbonato de terras raras, o primeiro lote produzido no país destinado a pesquisas voltadas à fabricação de ímãs permanentes.

O material foi entregue por meio de uma parceria com a mineradora responsável por testes em planta piloto em Poços de Caldas (MG).

Carbonato de terras raras é um composto intermediário obtido após a lixiviação da argila iônica que contém os minérios e antecede a separação dos elementos individuais de terras raras.

O lote entregue no CIT Senai ITR servirá para etapas piloto importantes, como a obtenção de óxidos puros, a redução para metal, a produção de ligas e a confecção de ímãs do tipo NdFeB (neodímio-ferro-boro).

“Com essa remessa, o projeto passa a ter a oportunidade de trabalhar com matéria-prima de origem nacional nas etapas de obtenção de óxidos puros de terras raras, redução para metal, produção de liga e fabricação de ímãs de NdFeB (neodímio-ferro-boro). Isso é extremamente relevante porque permite validar, em escala piloto, a rota tecnológica utilizando terras raras brasileiras.”

— André Luis Pimenta de Faria, coordenador do CIT Senai ITR.

O CIT Senai ITR é parte do projeto MagBras, uma aliança entre empresas, startups, centros de inovação, universidades e instituições de pesquisa que busca criar, no Brasil, uma cadeia completa para transformar minérios em ímãs e outros produtos de alto valor agregado.

Ímãs permanentes fabricados a partir dessas matérias-primas são essenciais em motores de veículos elétricos, turbinas eólicas, aparelhos eletrônicos e equipamentos médicos, entre outras aplicações industriais.

Segundo a mineradora, os testes na planta piloto mostraram que o carbonato extraído do Planalto Vulcânico de Poços de Caldas apresenta teor elevado de terras raras e taxas de recuperação superiores à média global.

“A gente pega uma argila que tem 0,4% de terras raras e transforma num carbonato que é 98% de terras raras.”

— Marcelo Carvalho, diretor executivo da Meteoric.

Ainda conforme a empresa, recuperações chegaram a cerca de 78% a 79% em etapas de teste, enquanto a maioria das minas no mundo registra recuperações em torno de 50%.

O carbonato enviado ao CIT Senai ITR foi obtido a partir de amostras coletadas durante pesquisas na região de Poços de Caldas, e a mineradora está em processo de licenciamento para a construção da mina.

A entrega integra um acordo de parceria de cinco anos entre o CIT Senai ITR e a Meteoric, assinado em 2024, e complementa materiais já recebidos pelo centro, como óxidos reciclados e amostras de oxalato originadas no país.

Enquanto a cadeia nacional se desenvolve, o centro também trabalha com materiais importados para manter a continuidade das pesquisas e garantir comparabilidade técnica.

O próximo desafio técnico da mineradora é avançar na separação dos elementos de terras raras a partir do carbonato, etapa crucial para que o Brasil possa, no futuro próximo, produzir ímãs completos em escala industrial.

Para Lagoa Santa, a presença do CIT Senai ITR fortalece a cidade como um polo tecnológico regional e pode impulsionar desenvolvimento científico, formação técnica e oportunidades de emprego vinculadas à cadeia de terras raras.

Moradores interessados podem acompanhar os desdobramentos do projeto e as parcerias entre o centro de tecnologia e as empresas envolvidas para entender como essa cadeia produtiva pode impactar a economia local e o setor de inovação em Minas Gerais.

Rolar para cima