A MG-010 liga Belo Horizonte à Serra do Cipó em cerca de 1h40, passando por Lagoa Santa.
O trecho corta a serra e revela paisagens que o paisagista Roberto Burle Marx chamou de “Jardim do Brasil”.
Santana do Riacho é a porta de entrada para o Parque Nacional da Serra do Cipó.
O parque reúne rios de águas transparentes, piscinas naturais entre rochas e trilhas para todos os perfis.
Criado em 1984, o parque protege 33.800 hectares de cerrado, campos rupestres e mata atlântica.
A flora local já registra mais de 1.700 espécies e apresenta um dos maiores índices de endemismo do planeta.
Entre as plantas aparecem orquídeas, sempre-vivas e canelas-de-ema crescendo sobre rochas com 1,7 bilhão de anos.
A região integra a Cadeia do Espinhaço, reconhecida em 2005 pela UNESCO como Reserva da Biosfera.
Também há cerca de 40 sítios arqueológicos com pinturas rupestres e vestígios de ocupação humana de mais de 10 mil anos.
Fauna ameaçada, como o lobo-guará e a onça-parda, ainda pode ser encontrada nas trilhas mais remotas.
Aqui vai um roteiro de 3 dias organizado por proximidade e nível de esforço.
No primeiro dia, a Cachoeira Grande é uma boa opção, com trilha fácil de 1 km e uma queda larga sobre o Rio Cipó.
A Cachoeira Véu da Noiva tem 70 m de queda, acesso por trilha curta de 400 m, piscina natural e estrutura de camping.
A Cachoeira da Farofa é um cartão-postal do parque, com sete quedas entre paredões de quartzito e trilha de aproximadamente 7 km pela Portaria Areias.
O Cânion das Bandeirinhas tem 6 km de extensão, paredões de até 100 m e piscinas naturais ao longo de uma trilha de 12 km (ida e volta), com nível moderado a alto.
O Sítio Arqueológico da Lapinha exibe pinturas rupestres de até 7 mil anos e é acessado por barco pela lagoa de Lapinha da Serra, a 15 km da sede de Santana do Riacho.
A entrada no Parque Nacional é gratuita e as cachoeiras em propriedades privadas costumam cobrar taxas entre R$ 25 e R$ 60.
Guias locais são recomendados para travessias e trilhas longas.
O clima de altitude mantém as noites frescas durante todo o ano.
A diferença entre estação seca e chuvosa define quais passeios são mais seguros e possíveis.
Saindo de Belo Horizonte, o trajeto mais direto é pela MG-010, que passa por Lagoa Santa até o distrito de Serra do Cipó no km 95.
São cerca de 100 km e aproximadamente 1h40 até a entrada do parque.
Partindo do Aeroporto de Confins, a distância cai para cerca de 75 km.
A empresa Saritur opera linhas de ônibus entre a Rodoviária de BH e Santana do Riacho, com parada no distrito de Serra do Cipó.
Quem prefere ir de carro encontra estacionamento nas portarias do parque e nos atrativos privados.
A estrada é bem sinalizada e não exige tração 4×4, exceto o acesso a Lapinha da Serra, cujos últimos 15 km são de terra.
Poucas regiões do país reúnem tanta biodiversidade, história e beleza cênica a menos de duas horas de uma capital.
Vale cruzar a serra e conhecer de perto por que Burle Marx chamou este pedaço de Minas de Jardim do Brasil.
Fonte: Estado de Minas;
